Ex-membro do Politburo expulso do Partido Comunista Chinês por corrupção
O ex-membro do Politburo do Partido Comunista Chinês e antigo chefe do partido na região de Xinjiang, Ma Xingrui, foi expulso da organização política, na sequência de uma investigação por corrupção, informou hoje a imprensa estatal.
Ma, de 67 anos, tornou-se o terceiro membro do Politburo -- o principal órgão político do regime -- a ser investigado no atual mandato, iniciado em 2022, um cenário sem precedentes nas últimas décadas.
O Politburo analisou e aprovou, em 30 de junho, o relatório sobre o caso elaborado pela Comissão Central de Inspeção Disciplinar (CCDI), o principal órgão anticorrupção do partido, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.
De acordo com o relatório, Ma "perdeu os seus ideais e convicções", "abandonou a sua fé política", "traiu os princípios e a missão original do partido" e "violou gravemente a disciplina política e as regras" do Partido Comunista Chinês.
A investigação a Ma foi anunciada em abril.
A CCDI acusou-o também de "aceitar indevidamente presentes e dinheiro", de ajudar familiares a adquirir imóveis a preços reduzidos e de se envolver em "trocas de poder por sexo e dinheiro".
Segundo o organismo, Ma permitiu ainda que familiares utilizassem a sua influência para obter lucros elevados, contribuindo para uma "corrupção desenfreada no seio da família".
"O poder público que lhe foi confiado foi distorcido num instrumento de ganho pessoal", referiu a Xinhua, acrescentando que Ma usou o cargo para beneficiar terceiros em operações comerciais, adjudicação de projetos e promoções profissionais.
O ex-dirigente terá ainda, através de familiares ou associados, "aceitado ilegalmente grandes quantias de dinheiro e bens".
O relatório apontou também falhas na supervisão de subordinados, cujas "graves violações da disciplina e da lei" não foram devidamente controladas, com "consequências severas".
Entre as acusações, constam ainda interferências em decisões de pessoal, com benefícios indevidos em processos de seleção e nomeação de quadros, bem como a colocação irregular de pessoas em cargos, diretamente ou através de familiares.
A CCDI indicou que Ma não confessou de forma honesta os seus problemas de corrupção durante as primeiras averiguações e que a sua conduta se prolongou após o 18º Congresso do partido, quando o Presidente chinês, Xi Jinping, lançou a campanha anticorrupção.
A conduta de Ma foi considerada "extremamente grave" e de "impacto extremamente negativo", sendo que os seus ganhos ilegais serão confiscados e o caso remetido para a justiça para julgamento.
Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi Jinping lançou uma ampla campanha anticorrupção que atingiu responsáveis de todos os níveis da administração, desde quadros locais até dirigentes do Partido Comunista, do Governo e das Forças Armadas.
Considerada uma das principais iniciativas políticas de Xi, a campanha revelou vários casos de suborno e desvio de fundos, embora alguns analistas defendam que também serviu para afastar rivais políticos.